Brasil E Suas Relações Com Os Estados Unidos: O Alto Custo Da Negligência Benigna

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O cancelamento da visita de Estado da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, que tinha sido agendada para os dias 23 e 24 de Outubro, constitui um dos momentos mais dolorosos nas tensões atuais entre os dois países. Enquanto as relações bilaterais entre os dois líderes do hemisfério não foram danificadas irreparavelmente, acordos atuais foram prejudicados, e remendá-los irá exigir alguma iniciativa diplomática dos Estados Unidos.

O escandâlo de espionagem da Administração de Segurança Nacional (NSA, por sua sigla em Inglês), que inclui o acesso dos Estados Unidos aos registros telefônicos de autoridades brasileiras de alto escalão, é o centro do problema. Porém houve também um duro contra-ataque à reação de Washington com respeito a posição de Brasília para com Cuba, a Venezuela e o Irã. O Secretário de Estado John Kerry viajou ao Brasil em agosto, em uma tentativa de acalmar as coisas, mas Kerry falhou claramente neste esforço.

Agora o Brasil está repensando a assinatura de um contrato pendente de 4 bilhões de dólares para a compra de 36 caças Boeing F-18. A deterioração das relações também pode complicar outros laços comerciais. O Brasil está vendo cada vez mais vantagem em  negociar com a União Europeia, China e outros países Latino-Americanos. A reorientação das relações comerciais da América Latina já está em andamento, com a Venezuela recentemente assinando 20 bilhões de dólares em contratos com a China, e as exportações Peruanas e Chilenas aumentando para a Ásia. Estes desenvolvimentos são um golpe duro para os interesses econômicos dos Estados Unidos.

O Brasil emergiu como uma potência econômica e uma força motriz nos assuntos da América do Sul, e, por isso, é vital que Washington avance decisivamente para reparar as relações com Brasília em ritmo rápido. Para isso, no entanto, a administração de Obama terá de oferecer muito mais do que as desculpas fracas e incertas apresentadas até agora.

O anúncio da presidente Dilma Rousseff é apenas o mais recente contratempo para a já atrapalhada política Latino-Americana de Washington. Espionar líderes do Brasil foi um grave erro de julgamento. Reparar as relações só poderá começar quando os EUA reconhecerem este grande erro, e muitos outros erros que vem cometendo nas relações com outras nações americanas. A administração de Obama terá de fazer uma análise concreta da maneira com que a Casa Branca está falhando em suas políticas hemisféricas e deve se esforçar por encontrar uma nova, e mais sábia, direção.

Equipe do Conselho de Assuntos Hemisférico, Traduzido por Camila Cristina Sgrignoli Januario Investigador ao Conselho de Assuntos Hemisférico

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